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INTRODUÇÃO

        O fascínio que o céu sempre exerceu sobre o homem está registrado no legado de todas as civilizações. O interesse pelo céu independe de idade. Velhos e crianças, todos se deixam cativar por sua beleza e pelos enigmas que ele esconde. A curiosidade das crianças pela Astronomia tem sido reconhecida e explorada até abusivamente pelos meios de comunicação: multiplicam-se as histórias fantásticas com naves espaciais, entes extraterrestres cientistas estereotipados em astros desconhecidos. A pseudociência apresentada é incorreta e ilógica, criando uma alta expectativa em relação a eventos que nada têm a ver com os fatos astronômicos reais. Mesmo os que pretendem tratar seriamente a Astronomia costumam seguir essa tendência: os astrônomos são vistos usando instrumentos extremamente sofisticados e criando teorias complicadíssimas.

        Não é de se estranhar, portanto, que os professores das escolas tenham receio de levar Astronomia para a sala de aula ou que, quando o fazem, se apeguem aos livros de texto. Os autores desses livros, por sua vez, pouco se afastam da reprodução do que encontraram em outros textos. À medida que as cópias se sucedem, as incorreções se multiplicam e as definições ficam cada vez mais dúbias. Exemplo disso é que tanto galáxias como constelaçõessão definidas como conjunto de estrelas”. É necessário salientar as diferenças: Constelações são regiões do céu arbitrárias, cuja configuração é resultado de um alinhamento esporádico, conforme a perspectiva do observador terrestre. Ao olharmos o céu podemos ver lado a lado astros próximos e distantes, assim como quando olhamos através de uma janela vemos quase superpostos objetos muito distantes entre si: a moldura da janela, edifícios e árvores, montanha, nuvens e a Lua. Qualquer objeto que se alinhe apropriadamente dentro dos limites de uma constelação, ainda que momentaneamente (ex.: planetas ou cometas), é considerado como “estando na constelação”, mesmo quando não visível a olho nu. Originalmente os limites das constelações eram pouco definidos, acompanhando os desenhos dos entes que lhes davam o nome e tendo extensão variada em mapas celestes diferentes. Atualmente uma convenção internacional definiu os limites das constelações através de contornos regulares, preenchendo todos os espaços do céu. Desse modo todo e qualquer astro, visível ou não, pertencerá a uma constelação em determinado instante. As constelações diferem muito em área, sendo uma das menores, o Cruzeiro do Sul.


        Galáxias são imensos conjuntos de estrelas, relativamente isoladas no espaço, que formam um sistema autogravitante, isto é, as forças gravitacionais são suficientemente fortes para manter uma estrutura estável. Geralmente possuem um núcleo central relativamente esférico, circundado por uma região achatada em forma de disco que, além de estrelas, contém gás e poeira que às vezes tem estrutura espiral. Como o Sol está no disco de nossa galáxia, a contribuição integrada das estrelas (centenas de bilhões de estrelas) aparece no céu como uma faixa nebulosa onde também se observa maior número de estrelas visíveis: a Via Láctea. Nela também existem nebulosas gasosas, além de zonas escuras como o Saco de Carvão no Cruzeiro do Sul, devido a nuvens interestelares de poeira e gás, que absorve a luz das estrelas mais distantes.

        De modo semelhante, as trajetórias dos planetas ficam numa faixa do céu denominada zodíaco, onde também se encontra a trajetória do Sol, a eclítica. Dessa observação se pode concluir que suas órbitas ficam aproximadamente no mesmo plano, que está a 23,5 graus de inclinação do plano do equador da Terra. Todos esses fatos podem ser obtidos a partir de observações a olho nu que devemos incentivar aos participantes do curso “Abra Sua Janela Para o Céu” a fazer. Por esse motivo não elaborei desenhos neste projeto: os modelos devem ser feitos após as observações. Infelizmente é usual apresentar o Sistema Solar através de esboços vistos de fora numa perspectiva jamais vista por humanos, ignorando o fato de sermos habitantes de um planeta inserido no próprio sistema e resultado da situação cósmica em que vivemos. Nunca se chama atenção para a correspondência entre o modelo e o que se vê no céu.


        É notável a organização e imutabilidade dos astros: as constelações, nomeadas por povos do Mediterrâneo, ainda apresentam essencialmente a mesma configuração; os planetas continuam seu caminho no zodíaco; o Sol e a Lua repetem sempre os mesmos ciclos, originando, dia e noite, marés e estações. Esses fatos familiares, que foram e continuam incorporados a vida cotidiana, impressionaram os antigos a ponto de terem dominado suas religiões e continuam fascinando as pessoas mesmo que os mecanismos que os governam não sejam compreendidos. A ordem dos fenômenos celestes inspirou fortemente o homem em seus primeiros passos no caminho do estabelecimento do método científico. Deveríamos aproveitar mais a atração que ela exerce sobre as pessoas interessadas, para ilustrar nossas aulas e para mostrar como as teorias científicas se desenvolvem. Inclusive, destacar a importância da pratica da Astronomia Amadora, que sempre contribuiu em descobertas relevantes para o conhecimento humano nesta ciência.