Um dos fenômenos astronômicos mais belos e fáceis de serem vistos são as chuvas de meteoros. Elas podem ser vistas a olho nu, mesmo com alguma poluição luminosa. Mas claro que o ideal é observá-las em local escuro e com um céu limpo, sem nuvens.

Todos os dias muitos detritos caem em nosso planeta, vindos do espaço. E podemos ver meteoros também esporadicamente. Meteoros são partículas, a maioria do tamanho de um grão de poeira, que colidem com nossa atmosfera gerando calor e luz. Muitos desses detritos são deixados por cometas ou mesmo asteroides e se aglomeram ao longo da órbita do astro que as gerou. Quando então a Terra, em sua trajetória ao redor do Sol, cruza esse caminho ocorrem as chuvas de meteoros. Veja na figura abaixo um esquema mostrando uma dessas passagens do nosso planeta pela órbita do cometa Tempel – Turttle, formando a chuva de meteoros conhecida como Leônidas:

by WOtP

Nessas ocasiões eles parecem surgir de um determinado ponto do céu, que é chamado de radiante. O nome da chuva de meteoro é dado pela constelação onde se encontra esse radiante. Assim, Leônidas é o nome dado à chuva de meteoros cujo radiante está na constelação de Leão. Se houver mais de uma chuva associada a uma constelação, utiliza-se o nome da estrela da constelação mais próxima do radiante.

by NASA.

 

METEOROIDES, METEOROS, METEORITOS: QUAL A DIFERENÇA?
Esses termos confundem muito as pessoas, mas agora você vai saber exatamente o que significa cada um deles. Meteoróides são partículas em suas órbitas ao redor do sol. São geralmente deixados para trás por cometas e asteróides. Ao entrar na atmosfera em alta velocidade são aquecidos produzindo um rastro de luz, são chamados nesse momento de meteoros. Já os meteoritos são objetos extraterrestres, após vagarem pelo sistema solar adentram nossa atmosfera e não se desintegram totalmente, chegando a atingir o solo. No Brasil temos ótimos 74 meteoritos catalogados que vem sendo estudados por nossos pesquisadores. O mais importante deles é o Bendegó, descoberto ainda em 1784, por um garoto que campeava o gado no sertão de Monte Santo, na Bahia. Foi trazido ao Rio de Janeiro em 1888, por ordem de D. Pedro II.

Meteoro Bendegó, exposto no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, RJ.

 

BRASILEIROS DA BRAMOM DESCOBREM DUAS CHUVAS DE METEOROS
Em 2017 três brasileiros realizaram um feito incrível: a descoberta de duas novas chuvas de meteoros: a Epsilon Gruids (EGR) e a August Caelids (ACD).
Para chegar a essa descoberta desde 2014 foi criada a Rede Brasileira de Observação de Meteoros – BRAMON. São 82 estações espalhadas por 19 estados brasileiros coletando vídeos de meteoros. Em 2016 de posse de vídeos de mais de 86.000 meteoros os pesquisadores Marcelo Zurita ( João Pessoa – PB ), Lauriston Trindade ( Maranguape – CE ) e Carlos di Pietro ( São Paulo – SP ) perceberam que havia um grande número de meteoros que pareciam se originar em um determinado ponto do céu e que poderia ser um radiante ainda não percebido até então.
Em 20 de março de 2017 a Ineternational Astronomical Union publicou em sua lista oficial tanto a Epsilon Gruids quanto a August Caelids com o status de Working pro tempore. Agora ela vai ser observada por outros pesquisadores e redes de observadores de meteoro por todo o mundo para ser validada.

Composição das órbitas dos meteoros do radiante Epsilon Gruids. O Sol (em amarelo) é representado no centro da imagem, a Terra (em azul) está á esquerda do Sol.

Composição com as órbitas do radiante August Caelids. O Sol (em amarelo) pode ser visto no centro da imagem. A Terra (em azul) está á direita do Sol.

Os dados orbitais das novas chuvas podem ser consultados nos links abaixo:
Epsilon Gruids:
https://www.ta3.sk/IAUC22DB/MDC2007/Roje/pojedynczy_obiekt.php?kodstrumienia=00797&colecimy=0&kodmin=00001&kodmax=00798&sortowanie=0

August Caelids:
https://www.ta3.sk/IAUC22DB/MDC2007/Roje/pojedynczy_obiekt.php?kodstrumienia=00798&colecimy=0&kodmin=00001&kodmax=00798&sortowanie=0

A GRANDE CHUVA DE METEOROS DE 1833

Há relatos de observações de chuvas de meteoros muito antigas, as Perseidas já foram registradas por astrônomos chineses em 36 d.c. Já em 1833 ocorreu uma chuva de meteoros incrível, vista no hemisfério norte. Particularmente nos Estados Unidos causaram um grande espanto. À época se desconhecia completamente a origem do fenômeno da chuva de meteoros, e naquele ano ocorreu uma Leónidas muito intensa. Fala-se em cerca de mil meteoros por minuto. As pessoas ficaram em pânico achando que era chegado o juízo final. Os cientistas, por sua vez, se maravilharam com aquele fenômeno. Na cidade de Nova York os problemas causados pelo pânico da população foi tão grande que, após passados seus efeitos, foi criado um departamento incumbido de prever fenômenos como aquele.

by Adolf Vollmy, 1889.

 

ALGUMAS CHUVAS DE METEORO IMPORTANTES

LEÔNIDAS

Essa chuva de meteoros se forma quando a Terra passa pela órbita do cometa Tempel-Tuttle. O período do cometa é de 33 anos e por isso a cada período igual a esse ocorre uma chuva especialmente intensa. A mais famosa delas foi a de 1833 quando foram registrados cerca de 1000 meteoros por minutos, segundo relatos.

ORIÓNIDAS

As Oriónidas são uma chuva originada pelo material deixado pelo cometa Halley. Esse talvez seja o cometa mais famoso do grande público, que teve sua última passagem em 1986. Pode ser vista de todo o globo já que seu radiante é bem próximo do equador celeste. Se estende de 4 de outubro a 14 de novembro e tem seu pico por volta de 22 de outubro.

PERSEIDAS

Essa chuva é muito famosa porque apresenta um grande número de meteoros a cada hora. Para nós do hemisfério sul, no entanto, é um pouco menos intensa pois seu radiante fica muito próximo do horizonte norte. É formada pelos detritos deixados pelo cometa 109P/Swift-Tuttle, descoberto em 1862.

ETA AQUÁRIDAS

Também formada a partir do material deixado pelo cometa Halley, pode ser apreciada desde 21 de abril até 12 de maio. Seu máximo fica perto do dia 6 de maio. Seus meteoros são conhecidos por deixarem rastros luminosos que duram mais de um segundo.

GEMÍNIDAS

Essa chuva é a primeira associada à passagem de um asteróide, o 3200 Faetonte. Tem seu pico em 13 de dezembro. Seu radiante fica próximo do horizonte noroeste.

SEGUE ABAIXO UM QUADRO RESUMO DESSAS E DE ALGUMAS OUTRAS CHUVAS:

Nome Duração Data do pico THZ*
Quadrântidas Dez 28Jan 12 Jan 4 120
Líridas Abr 16Abr 25 Abr 22 18
Eta Aquáridas Abr 19Mai 28 Mai 5 65
Delta Aquáridas do Sul Jul 12Ago 19 Jul 28 16
Perseidas Jul 17Ago 24 Ago 12 100
Oriónidas Out 2Nov 7 Out 21 25
Gemínidas Dez 7Dez 17 Dez 14 120
Leónidas[2] Nov 14Nov 21 Nov 17 71

* Taxa Horária Zenital – Quantidade de meteoros por hora
quando o radiante está no Zênite.

Meteorito de Bendegó:
https://saemuseunacional.wordpress.com/2013/02/19/museu-de-curiosidades-1

https://meteoritosbrasil.weebly.com/database/bendeg

A Escuridão e a Chuva de Estrelas:
http://www.zenite.nu/a-escuridao-e-a-chuva-de-estrelas/

Whats is a meteor shower?:
https://spaceplace.nasa.gov/meteor-shower/en/

Chuvas de meteoros:
http://www.zenite.nu/chuvas-de-meteoros/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Chuva_de_meteoros

What is a Meteor or Meteorite?
https://solarsystem.nasa.gov/small-bodies/meteors-and-meteorites/overview/?page=0&per_page=40&order=id+asc&search=&condition_1=meteor_shower%3Abody_type

Spitzer Telescope Sees Trail of Comet Crumbs:
http://www.spitzer.caltech.edu/news/239-ssc2006-13-Spitzer-Telescope-Sees-Trail-of-Comet-Crumbs

Descoberta histórica! Dois novos radiantes nos céus austrais:
http://www.bramonmeteor.org/bramon/990-2/